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terça-feira, 10 de maio de 2011

Foco no Doente (e não na doença)


     Na Medicina existe a celebre frase: "Cada caso é um caso". Ela existe para lembrar aos médicos que o descrito nos livros é apenas uma referência às várias características encontradas numa determinada doença. Poucos casos terão tudo o que está escrito, muitos terão vários sinais ou sintomas, e alguns casos terão poucos sinais e sintomas (o que torna às vezes inconclusiva uma avaliação).

     Esta é a parte da ciência médica mais fascinante. Ocorre um exercício mental constante, que motiva o Médico a sempre estudar e se aperfeiçoar diariamente.

     Quando se vai ao Médico todos ficam numa sala de espera aguardando ao chamado. São nestes minutos que se escutam os mais diversos comentários contados pelas outras pessoas presentes no local. Muitos compartilham as suas doenças, seus sintomas e alguns se identificam e já entram no consultório convictos de terem achado a solução para seus problemas assim como a conduta terapêutica a ser seguida.

     Soluções levadas até o consultório após extensa pesquisa na internet (“Dr. Google”) e em outras fontes de informação, inclusive nos relatos familiares, podem ser úteis, mas geralmente são fatores complicadores.

     Os termos médicos ali expostos são muitos e de difícil compreensão. As simplificações e generalizações quase nunca são consistentes. Pois cada indivíduo é um ser único, com suas próprias peculiaridades.

     A mídia também auxilia nesta crescente desinformação quando se utiliza de termos médicos de maneira superficial ou tendenciosa. Existem também sociedades, cultos religiosos e até empresas que se utilizam destas informações para finalidade própria e que nada tem haver com a Medicina ou seu caráter orientador.


Falando em efeito terapêutico, falaremos agora dos remédios. Neste ponto de encontro de pacientes / clientes, todos têm a solução para o seu problema. Tal ou qual remédio foi muito bom, outros nem tanto e alguns nem pensar. Assim, vemos uma troca de nomes de remédios com o objetivo curativo. Não é incomum o paciente entrar no consultório afirmando: "Dr., o senhor não me solicitou determinado exame, ou não prescreveu uma medicação que o outro paciente toma e disse que melhorou muito. Por que?"

     De repente surge no Médico uma série de imagens mentais e informações científicas sobre artigos versando de psicofarmacologia clínica, farmacocinética e farmacodinâmica e outras reminiscências de experiências dos anos de vida profissional, que dificilmente podem ser transferidas mentalmente para a mente do paciente como se fosse um download.

     Lembremos que nem todos podem ir ao Pronto Socorro e serem medicados com benzetacil por causa dos casos de hipersensibilidade ou alergia à mesma. Os medicamentos psicoativos agem de forma semelhante. O metabolismo de cada um responde de maneira diferente a diferentes medicamentos.

     Costumo imaginar as pessoas como uma grande curva de Gauss. Alguns respondem bem à medicação, outros respondem muito pouco e outros respondem bem demais. Da mesma maneira são os efeitos colaterais.

A área em azul escuro está a menos de um desvio padrão (σ) da média. Em uma distribuição normal, isto representa cerca de 68% do conjunto, enquanto dois desvios padrões desde a média (azul médio e escuro) representam cerca de 95%, e três desvios padrões (azul claro, médio e escuro) cobrem cerca de 99.7%.

     Concluindo: Não é porque somos todos da espécie humana que todos somos iguais. Somos parecidos, mas não somos iguais. Cada um de nós tem a sua singularidade, sua unicidade, que não se repete. Somos parecidos com nossos pais, mas não somos iguais. Não é porque funcionou um remédio no fulano de tal que irá funcionar em nós de maneira semelhante. Existe uma grande probabilidade de que sim, mas há também a probabilidade que não.

     Por isso não tomem medicações sem a orientação do seu Médico e, se os sintomas não melhorarem ou piorarem entre em contato com ele.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Sistema Límbico.


     O Sistema Límbico está relacionado intrinsecamente com a regulação dos processos Emocionais e do Sistema Nervoso Autônomo.


Funções principais:



a- Regular os processos emocionais;

b- Regular o SNA;
c- Regular processos motivacionais essenciais à sobrevivência da espécie e do indivíduo (fome, sede, sexo).

Função secundária:


a- Alguns componentes do sistema límbico se relacionam ao mecanismo da memória e aprendizagem e participam da regulação do sistema endócrino.



Fonte: UNIFESP Virtual.


Estruturas principais do Sistema Límbico:

  • Giro do Cíngulo:
     Sua porção frontal coordena odores, e visões com memórias agradáveis de emoções anteriores. Esta região participa ainda, da reação emocional à dor e da regulação do comportamento agressivo.

  • Hipocampo:
     Está envolvido com os fenômenos da memória de longa duração.
     Um hipocampo intacto possibilita ao animal comparar as condições de uma ameaça atual com experiências passadas similares, permitindo-lhe, assim, escolher qual a melhor opção a ser tomada para garantir sua preservação.

  • Hipotálamo:
     Controla as funções vegetativas, que são condições internas do corpo, como a temperatura, o impulso para comer e beber, etc. Seu controle está relacionado com o comportamento.
     Ele desempenha também um papel nas emoções. Parece estar envolvido com o prazer e a raiva, à aversão, ao desprazer e a tendência ao riso incontrolável.
     Quando funciona de modo inadequado pode levar aos ataques de pânico.

  • Tálamo:

     Está correlacionado com as reações da reatividade emocional do homem e dos animais.

  • Área Septal:
     Esta região se relaciona com as sensações de prazer, principalmente aquelas associadas às experiências sexuais.

  • Corpo Amigdalóide (Amígdala):

     É o centro identificador de perigo, gerando medo e ansiedade e colocando o animal em situação de alerta, aprontando-se para fugir ou lutar.
     Em humanos, a lesão da amígdala faz, entre outras coisas, com que o indivíduo perca o sentido afetivo da percepção de uma informação vinda de fora, como a visão de uma pessoa conhecida. Ele sabe quem está vendo mas não sabe se gosta ou desgosta da pessoa em questão.


  • Tronco cerebral:

     Participa de mecanismos de alerta, vitais para a sobrevivência do indivíduo, como na  manutenção do ciclo vigília-sono.

  • Área Tegmental Ventral (um dos núcleo do tronco encefálico):
     Localizado no tronco cerebral, secreta dopamina. A descarga espontânea ou a estimulação elétrica dos neurônios da região dopaminérgica mesolímbica produzem sensações de prazer, algumas delas similares ao orgasmo. É a região envolvida com questões de vícios ( dependências químicas e não químicas).


terça-feira, 8 de março de 2011

Avaliação Psiquiátrica para Cirurgia Bariátrica.


O porquê da Avaliação Psiquiátrica para Cirurgia de Redução do Estômago


     Os médicos cirurgiões que realizam a cirurgia para redução de estômago precisam solicitar uma Avaliação Psiquiátrica ou de Sanidade Mental para o paciente com Obesidade Mórbida que vai se submeter ao procedimento cirúrgico.

     Isto é importante para diagnosticar ou de fato descartar a presença de doença mental no indivíduo que vai realizar a cirurgia bariátrica. Visto que no pós-operatório o seguimento da reeducação alimentar e outras recomendações médicas tem um impacto enorme na recuperação. Algo muito difícil de ser mantido caso o paciente não esteja estável emocionalmente.

     Além disso, pacientes com Obesidade Mórbida possuem prevalência muito maior de depressão que a população geral.

     Em outros casos a compulsão alimentar está relacionada a um distúrbio químico cerebral, algo que não melhora após a cirurgia.

     Para estes casos é preciso um tratamento conjunto com o médico psiquiatra.

     Realizamos esta avaliação de Sanidade Mental com fins específicos de verificar se há ou não contra-indicação psiquiátrica para o paciente realizar a Cirurgia de Estômago. E se há ou não necessidade de acompanhamento conjunto com médico psiquiatra.