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sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Entrevista sobre Medicina Comportamental


     Para aqueles que estão interessados na Medicina Comportamental, em 30 de novembro 2012 dei uma entrevista no canal allTV, a primeira TV da internet ao vivo, no programa Web Divã!

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Mais de 30% dos casos de Depressão não são diagnosticados


Segundo o Tratado de Psiquiatria Clínica de Hales e Yudofsky (2006), nos EUA, o risco para a vida toda de um episódio depressivo maior é calculado em cerca de 6% e a prevalência de Distimia (um tipo de depressão branda, mas crônica) é 3 a 4%. Segundo esses autores a prevalência de todos os transtornos depressivos é de 9 a 20%, o que torna os transtornos do humor os problemas psiquiátricos mais comuns na atenção primária. Além disso a incidência é mais alta em pacientes com doenças médicas e está associada a um maior uso de serviços de saúde em geral. A incidência em mulheres é em torno de duas vezes superior a dos homens.
É importante salientar que cerca de 10 a 15% dos pacientes com diagnóstico de Transtorno Depressivo Maior em algum momento vão receber um diagnóstico revisado de Transtorno Bipolar, principalmente pelo fato de que na maioria dos casos um episódio depressivo precede um episódio de mania / hipomania.
A doença depressiva vem sendo apontada como um grave problema de saúde pública e relacionada à elevados custos sociais e risco de suicídio. Souza, Fontana e Pinto (2005) situaram as depressões como o fator de maior prejuízo pessoal, funcional e social da atualidade.
Segundo dados da OMS, estima-se que entre 1990 e 2010, o número de pessoas sofrendo destes transtornos aumentaria de 20 para 35 milhões na América Latina e Caribe.
Para o contexto nacional, Almeida-Filho et al. (1992) em um estudo multicêntrico verificaram taxa de prevalência de 2,8% na cidade de Brasília, 10,2% em Porto Alegre e 1,9% na cidade de São Paulo. Andrade et al. (1999) verificaram, na área de captação do Instituto de Psiquiatria do HCFMUSP, que 16,6% das pessoas já haviam apresentado transtorno depressivo ao longo da vida e que 6,7% o haviam apresentado no ano anterior, tendo as mulheres, duas vezes mais chances que os homens de apresentar algum transtorno deste tipo.
Estudos nacionais revelam que transtornos depressivos, de diversos níveis de gravidade, acometem 20 a 33% dos pacientes internados em enfermarias de clínica médica (Botega e cols., 1995).
O relatório da OMS de 2001 considerou as depressões como as maiores causas de incapacitação para o trabalho, em relação ao número de dias perdidos, levando a um impacto socioeconômico muito alto.
Alguns autores (Fleck et al., 2003; Souza, Fontana e Pinto, 2005; Tanajura et al., 2002; Valentini et al., 2004) levantaram a possibilidade de que as depressões ainda são subdiagnosticadas e subtratadas tanto no Brasil como no resto do mundo.
A este respeito, Fleck et al. (2003) verificaram, em revisão bibliográfica, que de 30% a 50% dos casos não foram diagnosticados em serviços de cuidados primários e outros serviços médicos gerais.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

A Review of the Literature and Implications for Clinical Practice.



Medication Adherence: A Review of the Literature and Implications for Clinical Practice. Journal of Psychiatric Practice Vol. 15, No. 1. January 2009. ROSE J. JULIUS, MARK A.NOVITSKY JR., WILLIAM R. DUBIN.


     Este artigo é uma revisão da literatura científica eletrônica (Ovid Medline), até o início de 2008, sobre a adesão das medicações psicoativas em pacientes com transtornos psiquiátricos. É importante salientar que entre os estudos selecionados (quantia inicial de 2000 artigos) existia uma variabilidade nas definições da adesão e variabilidade nas metodologias empregadas, deste modo tornou-se difícil a interpretação dos resultados encontrados.

     De forma bastante sintética poderíamos caracterizar a adesão como a sinergia comportamental do paciente com as recomendações do médico ou de outro profissional de saúde. Entretanto não existe um consenso entre o quanto (maior que 75%-80% em alguns estudos e maior que 95% em outros) destas recomendações precisariam ser executadas para considerarmos um paciente aderente. Ademais, recentemente a idéia dicotômica de adesão ou não adesão foi substituída por uma visão espectral.

     Quanto à metodologia as principais críticas são devidas ao modo de coletar os dados. Geralmente foram os próprios pacientes que relataram o seguimento ou não do uso das medicações. Em outros estudos os relatos foram de familiares ou profissionais de saúde. Formas de mensurar o número de comprimidos utilizados ou mesmo, a dosagem do nível sérico da medicação também foram aplicados, entretanto aumentaram o custo e o tempo para coleta dos dados.

     Ofereceu como questionamento principal o porquê de alguns pacientes aderirem ao tratamento medicamentoso enquanto outros não. Nesta direção os objetivos foram:
(1) apreender melhor o impacto da não adesão aos medicamentos psicoativos;
(2) identificar fatores de risco para a não adesão aos medicamentos psicoativos;
(3) examinar intervenções desenvolvidas para aumento da adesão aos medicamentos psicoativos.

     Os autores não encontraram diferenças na adesão dos medicamentos psicoativos para adesão de outras classes de medicamentos. O que chamou muito a atenção foram os elevados índices da não adesão nos Transtornos de Ansiedade (57%), nos Transtornos Depressivos Maiores (28-52%), nos Transtornos Bipolares (20-50%) e nas Esquizofrenias (20-72%). Além da estimativa de que a causa da internação de 1/3 a 2/3 dos pacientes psiquiátricos decorre da não adesão ao tratamento medicamentoso, o que gera um gasto econômico exorbitante. Só no EUA estima-se que os gastos de saúde devido a não adesão estão na ordem de 100 bilhões de dólares/ano.

     Em seguida os autores listaram e descreveram classes de fatores pautados a não adesão (relacionados aos pacientes, relacionados às medicações, psicológicos, sociais e ambientais).

     Em relação às estratégias de intervenções, já foi bem documentada a influência da psicoeducação na adesão medicamentosa. Recentemente outras modalidades de intervenções, principalmente estratégias cognitivo-comportamentais e entrevistas motivacionais vêm mostrando-se efetivas.

     Com base em uma avaliação global dos resultados encontrados, os autores catalogaram e descreveram recomendações de intervenções simples para a melhor adesão medicamentosa:
(1) Fortalecer a aliança terapêutica;
(2) Reservar um tempo da consulta para avaliar a adesão;
(3) Analisar a motivação para o uso da medicação;
(4) Identificar potenciais barreiras a adesão.

     Em sucinta análise esta revisão acrescentou conhecimento ao tema crucial da adesão ao tratamento psiquiátrico, com ênfase no tratamento medicamentoso; além da discussão das estratégias de manejo a adesão medicamentosa na consulta psiquiátrica.