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terça-feira, 4 de outubro de 2011

O que é Medicina Comportamental?



     Algumas definições possíveis são:

  • Proposta por Schwartz e Weiss (1978) “Um campo interdisciplinar interessado na integração e desenvolvimento científico e técnico dos aspectos psicossociais, biomédicos e comportamentais relevantes à saúde e a doença e na aplicação desses conhecimentos e técnicas na prevenção, etiologia, diagnóstico, tratamento e reabilitação das doenças”.
  • De acordo com Juan F. Godoy (1996), Medicina Comportamental se define como “amplo campo de integração de conhecimentos que procedem de disciplinas muito diferentes, entre as quais cabe destacar (como pode depreender-se da rotulação outorgada à área) as biomédicas (anatomia, fisiologia, endocrinologia, epidemiologia, neurologia, psiquiatria etc.) por um lado, e as psicossociais (aprendizagem, terapia e modificação de comportamento, psicologia comunitária, sociologia, antropologia etc.), por outro. Tais conhecimentos dirigem-se à promoção e manutenção da saúde e à prevenção, diagnóstico, tratamento e reabilitação da doença”.
  • É um campo de conhecimento interdisciplinar que “focaliza a interação entre o cérebro, mente, corpo e comportamento e as poderosas formas nas quais os fatores emocional, social, espiritual pode afetar diretamente a saúde” (NCCAM Publication Nº D239, agosto/2005).


     "Constitui uma abordagem que, propondo o uso de métodos comportamentais fundamentados em processos de aprendizagem, contribui para o alívio do sofrimento emocional e a melhora de qualidade de vida. Hoje, cada vez mais a Medicina Comportamental vem se aliando às técnicas da Medicina convencional, ganhando contornos de uma abordagem de suma importância, principalmente considerando-se a relação custo-benefício, com recursos terapêuticos poderosos, fundamentados na relação mente-corpo. Destacam-se como técnicas relevantes desse campo as técnicas de relaxamento e o biofeedback, as terapias cognitivo-comportamentais, a hipnose, práticas meditativas e as estratégias de ”life management coaching”.
     No Brasil, a Medicina Comportamental, ainda numa fase embrionária, vem sendo implantada, no meio acadêmico, por iniciativa do Prof. Dr. José Roberto Leite, como um corpo de conhecimento e de técnicas cujo objetivo fundamental é o de propor ações que aumentem a eficácia das estratégias convencionais."    
Extraído do site: www.cemco.com.br, (visto outubro/2011).


     Acrescento que o novo campo chamado Psicologia Positiva possui muitas ferramentas úteis para a Medicina Comportamental.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Qualidade de Vida e Saúde são circunstâncias diferentes.


     Existe muita confusão neste tema, e frequentemente constatamos a utilização dos termos Qualidade de Vida e Saúde como sinônimos, algo incorreto. Para entendermos é preciso conhecer as definições oficiais da Organização Mundial de Saúde (OMS).

     Em 1958 a OMS definiu Saúde como:
“Estado de completo bem estar físico, mental e social, e não simplesmente a ausência de doença ou enfermidade”.
 (Eu ainda acrescentaria o aspecto espiritual e religioso a essa definição).

     Já em 1994 a OMS definiu Qualidade de Vida como:
"A percepção do individuo de sua posição na vida, no contexto de sua cultura e no sistema de valores em que vive e em relação as suas expectativas, seus padrões e suas preocupações".

     Outra definição aceita é a de Gill e Feinstein (1994) que definiram: “Qualidade de vida é um reflexo da maneira como o paciente percebe e reage ao seu status de saúde e a outros aspectos não médicos de sua vida”.

     Outro estudioso, Calman (1984), definiu Qualidade de Vida como o “hiato entre expectativas e realizações”. Quer dizer: o indivíduo pode atingir um bom nível de qualidade de vida buscando um aumento de suas realizações (satisfação com o sucesso) ou uma diminuição de suas expectativas (satisfação da resignação).

     Note que a relação existente entre Qualidade de Vida e Saúde está no fato de que a ausência de Saúde interfere negativamente com a percepção do indivíduo de sua posição na vida, no contexto de sua cultura e no sistema de valores em que vive e em relação as suas expectativas, seus padrões e suas preocupações. Logo um prejuízo na Saúde leva a um prejuízo na Qualidade de Vida.

     Entretanto, uma pessoa que apresenta expectativas e preocupações exageradas (na forma de erro de auto julgamento), apresenta prejuízo na Qualidade de Vida. Mas não necessariamente está com sua Saúde prejudicada.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Ansiedade Normal X Ansiedade Patológica


     O termo “Ansiedade” é utilizado de modo geral para três grandes grupos de situações, divididas didaticamente em:

1- Ansiedade Normal: sensação que se caracteriza por um sentimento difuso, desagradável e vago de apreensão, frequentemente, acompanhado por sintomas autonômicos, como cefaleia, perspiração, palpitações, aperto no peito e leve desconforto abdominal. A ansiedade é uma resposta a uma ameaça desconhecida, interna, vaga ou de origem conflituosa, que serve para avisar sobre um perigo iminente e possibilita a tomada de medidas para enfrentar a ameaça. (Kaplan e cols., Compêndio de Psiquiatria, 1997).

2- Ansiedade Patológica: é um sintoma de um processo patológico mental ou orgânico (Botega e cols., Prática Psiquiátrica no Hospital Geral, 2006), com sensações semelhantes à Ansiedade Normal. Pode ocorrer em diversos transtornos mentais ou orgânicos.

3- Transtornos de Ansiedade: conjunto estruturado de sinais e sintomas que apresentam causas semelhantes, levando ao desvio do estado normal. Pelo DSM-IV-TR são eles: Transtorno de Pânico sem Agorafobia, Transtorno de Pânico com Agorafobia, Agorafobia Sem Histórico de Transtorno de Pânico, Fobia Específica, Fobia Social, Transtorno Obsessivo-Compulsivo, Transtorno de Estresse Pós-Traumático, Transtorno de Estresse Agudo, Transtorno de Ansiedade Generalizada, Transtorno de Ansiedade Devido a uma Condição Médica Geral, Transtorno de Ansiedade Induzido por Substâncias e Transtorno de Ansiedade sem Outra Especificação.

     A ansiedade tende a produzir confusão e distorções perceptivas, não apenas em termos de tempo e espaço, mas de pessoas e significado dos eventos. Essas distorções podem interferir no aprendizado, baixando a concentração, reduzindo a memória e prejudicando a capacidade de relacionar uma coisa com outra (associação). (Kaplan e cols., Compêndio de Psiquiatria, 1997).

     Além disso, a Ansiedade Normal / Patológica é o grande sintoma de características psicológicas que mostra a intersecção entre o físico e psíquico, uma vez que tem claros sintomas físicos como taquicardia, sudorese, tremores, tensão muscular, aumento das secreções, aumento da motilidade intestinal, cefaleia, etc.

     Também devemos diferenciar a Ansiedade do medo. O medo é um sinal de alerta similar ao da Ansiedade, mas distingue-se por ser uma resposta a uma ameaça conhecida, externa, definida ou de origem não conflituosa. A principal característica psicológica entre as duas respostas emocionais é a natureza aguda do medo e o caráter crônico da ansiedade. (Kaplan e cols., Compêndio de Psiquiatria, 1997).

     Nos casos de Ansiedade, a primeira atitude a se tomar é tentar diferenciar entre Ansiedade Normal e Ansiedade Patológica, algo difícil muitas vezes. Rosenbaum e cols. (1991/1994) tentaram fazer esta distinção utilizando-se de quatro critérios:

  • Autonomia: a ansiedade ocorre sem causa aparente ou, se existe um estímulo, a reação é desproporcional.
  • Intensidade: elevada; relacionada com um alto nível de sofrimento ou com baixa capacidade de tolerá-lo.
  • Duração: mantida ou recorrente.
  • Comportamento: disfuncional, mal adaptativo (rituais, evitação, compulsões), com prejuízo global do funcionamento.